O Congresso da Sociedade Europeia de Oncologia Médica (European Society of Medical Oncology – ESMO) arrancou ontem, dia 7 de outubro, numa Copenhaga banhada pelo frio outonal do Norte da Europa. Estendendo-se até ao dia 11 na capital daquele que é considerado “o país mais feliz do Mundo”, a edição deste ano acolhe cerca de 20.000 participantes provenientes de mais de 130 países e quase 300 jornalistas no Bella Center Copenhagen para discutir os mais promissores avanços no tratamento da doença oncológica.
Abrangendo desde resultados de ciência básica e investigação translacional, a políticas de saúde e ‘patient advocacy’, até aos resultados mais recentes de ensaios clínicos de fases I–IV para um espetro alargado de tumores, a ESMO 2016 traz um conjunto compreensivo de dados inovadores e, em muitos casos, passíveis de conduzir a alterações na prática clínica.
Na sessão de abertura, um painel de ilustres representantes encabeçado pelo Presidente da ESMO, Prof. Fortunato Ciardiello, deu as boas-vindas à cidade e ao congresso, introduzindo o tema deste ano: “Do Tratamento da Doença aos Cuidados ao Doente”.
O Primeiro-mininstro dinamarquês, Lars Løkke Rasmussen, endereçou igualmente algumas palavras à audiência, lembrando que o cancro mata anualmente mais de 8 milhões de pessoas em todo o mundo, e que a epidemia “toca invariavelmente cada um de nós, seja como doente ou como familiar”.
O ‘burden’ associado ao cancro continua a ser demasiado elevado. Suplantando as doenças cardiovasculares como a principal causa de morte em 12 países europeus, estima-se que a sua incidência e mortalidade continue a aumentar nos próximos 5 anos, tanto na Europa como nos EUA, sendo estes números mais elevados nas mulheres do que nos homens.
Dados da GLOBOCAN 2012 indicam que os tumores do pulmão, colorretais e da mama são os responsáveis pelo maior número de mortes em ambos os sexos na Europa Ocidental. Para combater estas estatísticas, “a investigação é a resposta”, afirmou a Prof. Solange Peters, presidente do Comité de Imprensa da ESMO 2016.
Entre as personalidades homenageadas na sessão de abertura destacou-se o português Prof. Carlos Caldas, galardoado com o Prémio Hamilton Fairley. O professor de Oncologia clínica da Universidade de Cambridge tem-se evidenciado em várias áreas de investigação da doença, nomeadamente relativas ao DNA tumoral circulante enquanto marcador oncológico e à heterogeneidade dos tumores triplo negativos.
Na sua preleção, o conceituado cientista abordou esta última, detalhando o seu projeto de investigação sobre a nova estratificação genómica do cancro da mama e as suas implicações prognósticas e terapêuticas.
“O cancro da mama não é uma doença, mas uma constelação de 10 doenças, com perfis moleculares muito distintos. O subtipo HER2, o mais comum, divide-se, por sua vez, em 7 perfis moleculares”, introduziu. “Daqui advém a importância de basear a classificação e tratamento da doença na heterogeneidade dos seus ‘drivers’ moleculares”, fundamentou.
A visão da ESMO para 2020 assenta na importância de aproximar e integrar a investigação, diagnóstico e tratamento do cancro, na necessidade crescente de educação especializada para uma colaboração efetiva entre oncologistas e outras especialidades médicas, e no desenvolvimento de um modelo de cuidados oncológicos sustentável – que permita assegurar aos doentes o acesso ao melhor tratamento e traga o enfoque para programas de educação e prevenção.

























Todos os direitos reservados